Friday, October 17, 2008

As mulheres permanecem sempre crianças que vivem à espera de algo.
Oscar Wilde

Thursday, September 25, 2008

just...

miss you


Por onde passaste tu que me ficaste cá dentro?...
José Carlos Ary dos Santos

Friday, August 22, 2008

procuro




Procuro a ternura súbita,
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.

Eugénio de Andrade

un homme



Un homme que je n'ai pas encore nommé.
Un homme que j'aime.
Un homme qui me quittera.
Le reste, devant, derrière moi, avant et après moi,ça m'indiffère.
Je t'aime...

Marguerite Duras

Such a quiet life






Aqui me sentei quieta
Com as mãos sobre os joelhos
Quieta
muda
secreta
Passiva como os espelhos...
Sophia de Mello Breyner Andresen

Tuesday, December 4, 2007

Podia não esperar mais nada. Podia ficar com o que tinha. Podia quedar-se naquela aparente felicidade. Podia. Mas não. Espera por dias de chuva...

Tuesday, August 14, 2007

Monday, May 28, 2007

Morremos mais um pouco...CJT


... para podermos continuar vivos

Friday, April 13, 2007

Fade away


Guarda-me para que não me perca.

Guarda-me.

Wednesday, March 7, 2007

hey


give me a push

will you...?

Tuesday, February 6, 2007

in the end


todo o santo dia bateram à porta. não abri, não me apetecia ver pessoas, ninguém. escrevi muito, de tarde e pela noite dentro. curiosamente, hoje, ouve-se o mar como se estivesse dentro de casa. o vento deve estar de feição. a ressonância das vagas contra os rochedos sobressalta-me. desconfio que se disser mar em voz alta, o mar entra pela janela. sou um homem priveligiado, ouço o mar ao entardecer, que mais posso desejar? e no entanto, não estou alegre nem apaixonado, nem me parece que esteja feliz. escrevo com um único fim: salvar o dia.

Al Berto


Resta-nos salvar o dia.

Um após o outro.

Seguindo o movimento dos ponteiros,

numa cadência dolorosamente inerte, constante.
...

mas podemos sempre abrir a janela...

Friday, February 2, 2007

deep ocean vast sea


Olha para mim... eu ainda tenho pé.

Eu prometo que fico nos baixios, aqui onde a agua não é profunda.


Friday, January 26, 2007

ruido


- fala comigo...

- nenhuma palavra me sai da voz.


Friday, January 19, 2007

dare...

E ainda me atrevo a amar
o som da luz numa hora morta,
a cor do tempo num muro abandonado.

Alejandra Pizarnik

Thursday, January 18, 2007

embrasse


sinto falta do teu abraço...
mas tu não tens corpo que se abrace

Friday, January 12, 2007

pluie

Que venham as chuvas. Que caiam sobre nós as águas. Que me rasguem a carne e me fendam a alma. Que afoguem e afaguem a vontade e o querer. Que venham as chuvas. Que caiam em tormenta, que se transformem num enorme rio que extravase as margens, que inunde o árido, o vazio. Que venham as chuvas. Que cessem apenas quando não houver mais querer no meu ser. Quando apenas restar ossos, veias, artérias, músculos, tendões... Quando apenas restar sombra. Que venham as chuvas.
...Porque não vêm as chuvas?

Wednesday, January 10, 2007


há caminhos que não se cruzam.
eu sei.

Dois...
Apenas dois.
Dois seres...
Dois objectos patéticos.
Cursos paralelos
Frente a frente...
...Sempre...
...A se olharem...
Pensar talvez:
“Paralelos que se encontram no infinito...”
No entanto sós por enquanto.
Eternamente dois apenas.

Pablo Neruda

Thursday, January 4, 2007

palavras que se esgotam


- não sei que mais te posso dizer...

- toca-me

Não, as palavras não fazem amor
fazem ausência
Se digo água, beberei?
Se digo pão, comerei?

Alejandra Pizarnik

Wednesday, January 3, 2007

as sombras têm asas


sinto na pele a sombra que se projecta na parede
sinto o olhar que invade a sombra, cortando o silêncio, derrubando o espaço
sinto o toque desenhado na ponta dos dedos, despindo a pele que arde na sombra e queima
sinto nos lábios o calor de um corpo inteiro